Milícia e fascismo: um breve comentário
Publicado em: 16 de dezembro de 2018
Por: Felipe Demier, colunista do Esquerda Online
Felipe Demier
Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É autor, entre outros livros, de “O Longo Bonapartismo Brasileiro: um ensaio de interpretação histórica (1930-1964)” (Mauad, 2013) e “Depois do Golpe: a dialética da democracia blindada no Brasil” (Mauad, 2017).
Por: Felipe Demier, colunista do Esquerda Online
Felipe Demier
Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É autor, entre outros livros, de “O Longo Bonapartismo Brasileiro: um ensaio de interpretação histórica (1930-1964)” (Mauad, 2013) e “Depois do Golpe: a dialética da democracia blindada no Brasil” (Mauad, 2017).
Pelo seu próprio ethos e modo de ser, as milícias são organizações fascistas e, por conseguinte, bolsonaristas – a propósito, alguém imagina um miliciano votando em Haddad no último pleito?). No entanto, elas atuam prioritariamente por interesses econômicos, e, nesse sentido, se diferem de outros agrupamentos fascistas paraestatais, como os integralistas, MBLs, olavetes e consortes. O seu caráter ao mesmo tempo não institucional, fora da lei e comercial (portanto “não-político”) parece ser extremamente funcional a forças políticas que assumirão o poder no dia primeiro de janeiro do ano que vem.
As milícias podem, mediante pagamento (afinal, são comerciantes do crime), cometer assassinatos políticos (em especial contra lideranças da esquerda, com as quais já não nutrem mesmo qualquer simpatia, pra sermos eufemísticos), assim como podem ser, pelo Estado, acusadas destes e de outros assassinatos praticados pelas forças propriamente estatais.
Nos dois tipos de casos, não só o Estado se desresponsabiliza do feito, ao mesmo tempo em que o assassinato político é ideologicamente despolitizado, afinal, a milícia não é um partido, age à margem da lei, se move por interesses econômicos e “não tem ideologia” (o que não pode ser dito tão facilmente pela imprensa acerca dos integralistas, olavetes e cia.). Uma vez alcançado o objetivo, e eliminada a liderança de esquerda, basta fazer um simulacro de investigação e responsabilizar a milícia, que já é criminosa por natureza; se for mesmo necessário apresentar resultados, basta ao Estado incriminar algum lumpem-miliciano já preso ou facilmente descartável.
Em uma palavra, pode-se dizer que as milícias são hoje o braço armado por excelência do neofascismo brasileiro.
Foto: Marcelo Freixo, ameaçado pelas mílicias, e Mônica Benício, viúva de Marielle Franco. Tania Rego/Agência Brasil.
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